
O técnico Andry Melnychuk concedeu uma entrevista ao site oficial da Federação Portuguesa de Basquetebol, onde referiu algumas das dificuldades com que se depara na preparação dos encontros do plantel Sénior Masculino e também declarando confiança absoluta no plantel que tem actualmente à sua disposição. Aqui fica a entrevista publicada em
http://www.fpb.pt/:
"Deposito confiança nos jovens do clube"
Melnychuck não quer mais estrangeiros no Eléctrico
A equipa do Eléctrico de Ponte de Sôr estreou-se a vencer na última jornada cruzada do passado fim-de-semana e logo frente a uma equipa da LPB (Casino Ginásio). Os comandados de Andry Melnychuk (filho do ex-seleccionador nacional, Valentyn Melnychuk), um pouco iludidos pelos resultados alcançados na pré-época, começaram da pior maneira o campeonato, averbando três derrotas consecutivas. A inexperiência e a juventude do grupo poderão ser determinantes a este nível de competição. O técnico sabe-o bem, mas o mais curioso é que nem isso o faz alterar a sua filosofia de treinador, muito menos o projecto que definiu para o clube...
Com a subida do Eléctrico à Proliga, o Alentejo passou a estar pela primeira vez na "rota" das grandes partidas do basquetebol nacional. Contando com a euforia das suas gentes e o apoio incondicional do Presidente da Câmara, o clube cedo começou a dar passos seguros no sentido de se preparar para esta nova realidade. O primeiro deles foi a separação total do futebol e a procura de patrocínios próprios, que suportem a modalidade.
Mas o arranque não foi propriamente famoso – três derrotas em outros tantos jogos. "As vitórias da pré-época deixaram os jogadores convencidos que iria ser mais fácil, mas acabou por se tornar num começo terrível", conta-nos o técnico Andriy Melnychuk, quando instando a comentar o mau início de temporada.
A equipa debate-se com vários problemas ao nível da preparação dos jogos e a localização geográfica é um deles. O facto de terem de realizar viagens longas, especialmente nas jornadas duplas, tem-se reflectido no rendimento dos jogadores. "Os atletas ainda não se habituaram às deslocações e têm acusado esse esforço."
Não ter a equipa sempre disponível é outro grande problema para o líder da formação alentejana. "Só treinamos todos juntos três vezes por semana. Se jogamos em casa treinamos também da parte da manhã; aproveitamos para fazer trabalho táctico e de lançamento". E se a isto associarmos o facto de os treinos se dividirem entre Lisboa e Ponte de Sôr, a tarefa torna-se ainda mais complicada. "Alguns atletas estudam em Lisboa, um está na Covilhã e outro trabalha em Évora. Para conseguir juntá-los temos de fazer grandes sacrifícios", admite Andriy.
Mas nem os três desaires consecutivos fazem o treinador ceder à tentação de recrutar mais um estrangeiro – possibilidade que ainda tem em aberto –, apesar de lhe ter sido dada abertura nesse sentido. "Tenho vários jogadores formados no clube com talento. O que eles precisam é de tempo de jogo, de modo a ganharem experiência. Se viesse mais um estrangeiro nesta altura iria roubar espaço e minutos aos jovens em quem eu deposito confiança e prefiro apostar".
A única frustração de Melnychuk prende-se com a falta de tempo para conseguir trabalhar os vários aspectos do jogo. "Apercebi-me nos primeiros encontros que as nossas percentagens de lançamento eram péssimas e foquei-me no trabalho desse aspecto. Mas rapidamente cheguei à conclusão que o tempo que ficava disponível era insuficiente para a vertente táctica."
"Os jogadores jovens que tenho nas posições 1 e 2 não têm sido capazes de decidir bem nos momentos cruciais das partidas. Isso tem feito toda a diferença; temos acusado claramente a falta de experiência, típica de um conjunto jovem", acrescenta, apontando, assim, o motivo das derrotas, bem como o principal ponto a melhorar para alcançar o grande objectivo da época: "Temos de evoluir neste aspecto se quisermos ter aspirações à permanência na Proliga".